Fonte: Agrolink
Encontro serviu para mostrar à indústria de maquinas agrícolas as novas oportunidades criadas com a política de segurança alimentar venezuelana
Uma reunião entre representantes da indústria de maquinário agrícola e do governo venezuelano, ocorrida nesta sexta-feira (15), marcou a abertura de um importante diálogo que serviu para mostrar as novas oportunidades no comércio bilateral entre os dois países e também para esclarecer o empresariado brasileiro em relação à estatização da empresa venezuelana Agroisleña, rebatizada de Agropátria. O encontro, que aconteceu na sede da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, contou com a participação do embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil, Maximilien Arvelaiz, de Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, Reginaldo Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e de industriais e executivos de várias empresas do setor.
O embaixador Maximilien Arvelaiz dispersou o temor do empresariado brasileiro com a estatização da Agroisleña, uma das principais fornecedoras de sementes e fertilizantes da Venezuela e importante compradora de maquinário e equipamentos agrícolas brasileiros. “Nossa decisão permitirá a melhoria das relações entre Brasil e Venezuela em diferentes níveis e o governo (venezuelano) tem sido o principal propulsor desse estreitamento de relação. Não há nenhum motivo para interromper essa relação ou suspender as compras do Brasil”, garantiu Arvelaiz. Lembrando ao empresariado que a medida faz parte de um projeto de governo, o embaixador ressaltou o leque de oportunidades que surgirão com a Agropátria, a empresa que nasce da estatização da multinacional. “A Venezuela está apostando em um processo de desenvolvimento de nossa indústria e é claro que a agricultura é um dos principais pilares. O Brasil é essencial para o fortalecimento da Venezuela como um mercado integral, é nosso principal parceiro. A ideia é incrementar cada vez mais o comércio”, adiantou.
Eudelcio de Oliveira Dias, gerente de exportação da Nogueira S/A, empresa brasileira que produz e exporta maquinário e equipamentos para a Venezuela, deixou a reunião confiante na possibilidade de novas oportunidades. “Trabalhamos há muitos anos com a Venezuela e temos que ressaltar que foi a partir do governo do presidente Hugo Chávez que percebemos a transformação promovida na agricultura da Venezuela. Antigamente, caminhávamos pelo interior do país e víamos tratores antigos, maquinários bastante ultrapassados. Com a política de segurança alimentar do presidente Chávez, as empresas brasileiras passaram a ter maior participação no mercado venezuelano”, destacou o gerente.
Reginaldo Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, lembrou a importância estratégica da integração entre o Brasil e a Venezuela. “Queremos promover cada vez mais a integração positiva com a América do Sul justamente para que a gente possa ter com nossos vizinhos muito mais do que a compra e venda de materiais, para que possamos produzir juntos. O Brasil sempre esteve muito voltado para si mesmo e a Venezuela para o Caribe e os Estados Unidos. Então, a ideia tem sido de aprofundar esse relacionamento com esse parceiro, com quem temos 2.200 km de fronteira seca numa região importante do Brasil”, ressaltou.
Canal aberto
O empresariado presente à reunião deixou o encontro satisfeito com a abertura do diálogo e as garantias do embaixador venezuelano. Arvelaiz pediu ao grupo que reunisse suas principais pendências e as questões de extrema urgência em um documento que será encaminhado ao ministro de Agricultura e Terra da Venezuela, Juan Carlos Loyo.
Para o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, reuniões como a desta sexta-feira são o caminho para reabrir os canais de comunicação entre representantes do setor de maquinário e o governo venezuelano e para aprimorar o comércio entre os dois países. “Temos duas missões. A primeira é resolver as questões mais urgentes. A segunda é criar uma agenda para reunir a nova diretoria da Agropatria e o empresariado brasileiro”, enumerou. Neto ponderou ainda que está na hora de cessar as conversas pela imprensa e começar a tratar dessas importantes questões pessoalmente.
Desinformação na mídia brasileira
O empresário Carlos Santana, representante do setor, destacou que a imprensa chegou a noticiar erroneamente que a Venezuela teria suspendido as importações. “Isso é mentira, como disse o embaixador. Mas ainda temos dúvidas quanto ao que será feito em relação aos pedidos em produção ainda sem carta de crédito abertas e em relação às cartas de crédito abertas irrevogáveis”, assinalou Santana. Essas e outras questões levantadas durante a reunião devem ser debatidas em um novo encontro, já com a nova diretoria da estatal venezuelana, que deve ocorrer em, no máximo, dois meses, segundo adiantou o embaixador da Venezuela no Brasil.
As informações são da assessoria de imprensa da Embaixada da República Bolivariana da Venezuela.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Reunião entre Abimaq e Embaixada da Venezuela tranquiliza empresários
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